quinta-feira, 10 de setembro de 2009



UM RECANTO DA ÍNDIA
Canto da Floresta Hotel Resort traz ao Circuito das Águas a filosofia indiana

Publicado nos Jornais: A Tribuna de Santos / Imprensa Livre/ Repórter Diário

Há um cantinho da Índia, em pleno solo brasileiro e a poucos quilômetros de São Paulo, em Amparo, no Circuito das Águas. Trata-se do Canto da Floresta Resort, um hotel diferente por ter como base a filosofia indiana, que valoriza e prioriza o aspecto espiritual no ser humano. Essa proposta pode ser percebida em cada detalhe desse lugar, seja pela decoração, pela programação e até por itens da alimentação. Ali, tudo contribui para o resgate do lado espiritual, sem abrir mão do conforto e da sofisticação de um hotel padrão cinco estrelas.
A beleza do lugar, entre vales e montanhas, em 60 alqueires, contribui e envolve os visitantes nessa busca do equilíbrio entre corpo, mente e espírito, aspectos inerentes ao ser humano e que precisam ser alimentados e exercitados, para permitir um ser integral.

ACOLHIDA
Antes mesmo de alcançar a recepção, o hóspede passa pela imagem e pelo sino de GANESHA, podendo tocá-lo, anunciando sua chegada. Ganesha é considerado no Hinduísmo, o grande removedor de obstáculos, tanto materiais como espirituais. É também o protetor dos bons negócios. Uma sugestão é que ao tocá-lo sejam mentalizados os obstáculos que se deseja remover.
Já na recepção, o símbolo OM energiza os visitantes. Essa sílaba sagrada sânscrita representa o absoluto, o criador e incorpora vários significados, sempre em trilogia, como passado, presente e futuro ou ainda a consciência, onipresença e onipotência.
Diz a tradição hindu que a Gita (elefanta) dá sorte, logo, não poderia faltar. Os proprietários do hotel trouxeram da Índia um exemplar em madeira, que fica no saguão de entrada, pronta para receber os pedidos dos hóspedes. Lakshimi, representação védica da boa sorte, prosperidade e abundância, também divide o espaço, presenteando quem chega com mensagens (presságios), para serem refletidos durante a estadia. Todas as peças foram trazidas da Índia, pelos proprietários, adeptos dessa rica e tradicional cultura.
A filosofia indiana, conforme explicou a diretora do hotel, Fernanda Mesquita Berkovitz, tem como base e norte a espiritualidade. “Conhecer a Deus, seja em seus aspectos pessoal ou impessoal, é o que move o indiano” – disse ela.
Essa preocupação com a saúde espiritual ganha força na programação desenvolvida no Resort, aliando também cuidados com a saúde do corpo, através de atividades físicas, alimentação natural balanceada e diversas terapias como massagens, yoga, cromoterapia, dentre outros.
O Canto da Floresta mantém na sua estrutura física um Parque Místico. Coube aos empresários a construção da base desse Parque e à natureza o acabamento final, conforme explica Luiz N. Mesquita, diretor operacional do empreendimento. “Há sete anos, quando construímos o Parque, que possui diversos templos a céu aberto, reflorestamos toda a área adjacente, que hoje se tornou um bosque que acolhe esses espaços” – disse o diretor.
A programação mística, segundo Fernanda, é realizada nesse Parque, onde estão os templos do Sol, da Lua, a Pirâmide e o Labirinto, com acompanhamento de monitores capacitados, que conduzem as vivências e orientam sobre os procedimentos. “Dessa forma, o hóspede pode aprender sobre os conhecimentos antigos e usufruir de cada momento vivido ali”. A programação começa com caminhadas em trilhas ecológicas e terapêuticas seguindo por vivências que incluem harmonização, equilíbrio de chacras, meditação na pirâmide, dentre outros.
Há ainda os recantos da água, do fogo, do ar e da terra. Em cada um deles são realizadas programações e vivências específicas de limpeza e energização, que permitem trabalhar uma postura positiva, tranquila e harmônica para enfrentar com mais discernimento as dificuldades do dia-a-dia.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Como surgiu o Canto da Floresta

HOTELARIA SUSTENTÁVEL
Por Liane Uechi
Revista Neomondo, edição Fev/2009

Mais do que um produto, um conceito de negócio e de vida.
Desde o relatório de Brundtland, encomendado em 1983 pela Assembléia das Nações Unidas como tema de Meio Ambiente e Desenvolvimento, a sustentabilidade passou a permear como eixo central a linguagem internacional. Todos os segmentos da economia passaram a colocar o assunto em sua pauta e agenda. O mesmo ocorreu com o turismo, que passou a ser valorizado por ações que garantissem negócios “ecologicamente suportáveis em longo prazo, economicamente viáveis, assim como, éticos e socialmente equitativos para as comunidades locais” (Organização Mundial de Turismo).
Desse modo, há várias iniciativas no Brasil onde recantos da natureza antes intocados são hoje explorados de forma sustentável, gerando ganhos econômicos e sociais, sem abrir mão da preservação da natureza. Mas há ainda alguns exemplos surpreendentes que assumiram a responsabilidade de recriar espaços naturais e restabelecer sistemas ecológicos. Foi isso que fez o empresário paulista Luiz França de Mesquita. Numa área de um milhão de metros quadrados, constituída basicamente por pasto seco, ele comandou ao longo de 10 anos um reflorestamento com espécies nativas que fez surgir bosques, recantos, trilhas ecológicas e proporcionou o retorno de inúmeros animais silvestres. Só então implantou o Canto da Floresta Hotel, um resort ecológico, no Circuito das Águas, em Amparo, no interior de São Paulo.

Mesquita, antes de falecer em 2008, pode comprovar os resultados desse sonho, que trouxe vida e verde àquele trecho dos contrafortes da Serra da Mantiqueira. Conforme explicou sua filha, Fernanda Mesquita Berkovit, que atualmente divide a administração do empreendimento com o irmão Luiz Nogueira de Mesquita, o hóspede que visita o local, cercado por montanhas, ar puro, cortado por rio encachoeirado e marcado pela algazarra do canto dos pássaros não consegue imaginar o quadro de degradação da antiga fazenda. Mesquita acredita que todo o trabalho desenvolvido demonstra que a discussão da sustentabilidade no turismo passa necessariamente por um planejamento de longo prazo e a percepção de que o turismo sustentável não é um produto, mas um conceito interno. No caso do Canto da Floresta, a natureza encontrou um perseverante aliado cuja proposta ecológica era uma filosofia de vida. “Durante muitos anos, meu pai dedicou-se (nos finais de semana, férias e em todos os momentos que não se encontrava trabalhando) à missão de recuperar esse espaço. Ele respirava natureza!” – afirmou a empresária.
De 1996 a 2005, deu- se a fase do reflorestamento. Foi feita uma parceria com a ONG Mata Ciliar, que trouxe o conhecimento técnico, analisou as espécies nativas e auxiliou a criação de um Viveiro, que produziu e forneceu as mudas para o plantio, com exceção das primeiras 97 mil mudas, que foram adquiridas.Fernanda relata que a idéia de construir um resort padrão cinco estrelas, que estivesse dentro de uma floresta e onde as pessoas pudessem conviver com elementos da natureza e valorizar sua preservação foi mantida durante as etapas da construção do hotel, que privilegiou materiais também de áreas de manejo, como madeiras certificadas. “Na movimentação das terras na área onde foi levantado o complexo hoteleiro, as poucas árvores que já existiam foram transplantadas e até as grandes pedras encontradas foram recolocadas após a construção” – revelou ela.
A definição dos espaços internos e da decoração contemplou a milenar técnica chinesa do Feng Chuí, que harmoniza os ambientes, com cantos arredondados para o fluxo de energia vital, lago interno, utilização de fibras naturais na decoração, acessórios e mobiliários. Foram criados os recantos do Ar, da Terra, do Fogo e da Água, onde são realizadas vivências com esses elementos.
A programação para os hóspedes inclui a educação ambiental nas trilhas, cachoeira e demais ambientes naturais. As crianças possuem um espaço denominado Fazendinha, onde podem conhecer e praticar atividades na horta orgânica, que abastece os restaurantes do hotel, alimentar as aves, participar de pesca ecológica, andar a cavalo, sempre com a proposta de integração e respeito à natureza. Até mesmo a sala de ginástica está instalada em ambiente natural, num quiosque na entrada das trilhas ecológicas.Mas a sustentabilidade envolve questões sociais, que também estão inseridas no contexto desse empreendimento. O hotel está instalado em área rural e além do desenvolvimento inerente que ocorre na região, como melhorias de infra-estrutura e geração de empregos diretos e indiretos, Fernanda explicou que o hotel mantém um projeto social há dez anos, voltado às crianças do entorno, de 5 a 15 anos, oferecendo gratuitamente em horário contrário à escola, atividades educacionais, esportivas e culturais com base na filosofia dos Valores Humanos. Paralelamente à construção do hotel, foi erguido o Núcleo de Educação em Valores Humanos, onde são realizadas essas ações sociais. Conforme Fernanda, esse projeto mudou muita coisa, sobretudo na conscientização e comportamento da comunidade. “As crianças aprendem, mudam sua postura e influenciam a família. Temos muitas histórias que aferem esses resultados. No começo, em 1999, as crianças relatavam que tinham o hábito de atirar pedras nos animais que cruzavam o caminho. Dois anos depois, eles chegaram ao Núcleo trazendo uma pequena ave que encontraram com a pata quebrada, para que o veterinário pudesse ajudar. É um exemplo pequeno, mas que mostra uma profunda mudança no procedimento de vida” – exemplificou.Nesse espaço também são realizados atendimentos de saúde (fitoterapia e acupuntura), palestras educativas e cursos profissionalizantes para adolescentes e adultos da comunidade, formando profissionais tanto para o próprio empreendimento hoteleiro como para o mercado em geral.